
No Dia Mundial do Rock, resolvemos listar algumas obras que, cada qual à sua forma, representam literariamente o que o rock n’ roll é para a música. Trata-se de uma modesta seleção, que privilegia livros conhecidos e deixa de fora uma vasta produção contemporânea que subverte padrões (como o bom rock), mas é o risco que se corre em qualquer recorte – e este é um microrrecorte:
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Lançado em 1957, o mais célebre ícone da literatura beat ditou os rumos tortos de muitas vidas adolescentes dentro e fora dos Estados Unidos. A narrativa alucinante de Kerouac – que, drogado, escreveu o original em um rolo de papel higiênico – prefigura a incontinência formal do rock n’ roll. As viagens e caronas de Sal Paradise pelo território estadunidense envolvem filosofia barata, deslumbramento com a efervescência do jazz, indiferença diante do futuro e do dinheiro, desprezo pela política e pela sociedade organizada, enfim, rock o suficiente para influenciar gerações inteiras de músicos.

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Misto-quente - Charles Bukowski

Se Kerouac foi a voz dos hipsters dos anos 60 e 70, Bukowski foi, antes e depois disso, o silêncio ébrio das gerações desencaminhadas. O comportamento despretensioso e errante de Henry Chinaski, alter-ego do escritor, sintetiza o espírito que fez surgir o rock. Vagabundo, bêbado, atormentado, desajustado na sociedade e na família – o ódio pelo pai remete a Dimitri Karamazov, personagem de Dostoievski -, Chinaski é uma ilha de desprezo, solitário em uma amargura alimentada pela rejeição (espinhas monstruosas lhe faziam alvo de chacotas e lhe afastavam das garotas) e por um olhar impiedoso sobre o caráter alheio. Adotando a simplicidade como forma (o que não significa, em absoluto, pobreza literária) e a degradação como substância, Bukowski não passou despercebido pelos grandes do rock: bandas como Pearl Jam, Red Hot Chili Peppers e Anthrax estão entre as que já lhe prestaram tributos.
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O Corvo - Edgar Allan Poe

Ok, Tolkien é responsável pelos dragões e espadas, mas Poe (e diversos poetas românticos), muito antes dele, apresentou aos leitores o breu. Neste poema bastante musical – não haveria o menor esforço para encaixar a rima e a métrica de O Corvo em uma melodia -, o autor encontra um de seus momentos mais soturnos ao escancarar a inevitabilidade da morte. Essa atmosfera sombria seria replicada mais de um século depois, na década de 1980, tanto pelo shoegaze (My Bloody Valentine, The Jesus and Mary Chain, etc.) quanto pelo post-punk (The Cure, Echo & The Bunnymen, Joy Division, etc.). Os desdobramentos musicais e estéticos fazem da obra de Poe (não apenas O Corvo, evidentemente) uma influência literária definitiva sobre o rock.
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O Restaurante no Fim do Universo – Douglas Adams

A série “Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams, é muito rock and roll. Liguagem descolada, personagens cheios de atitude e fãs de rock. No segundo livro da saga, somos apresentados à Disaster Area, a maior banda da Galáxia - na verdade, uma caricatura dos grandes blockbusters da cena roqueira. Para se ter uma ideia, as apresentções do supergrupo foram banidas de alguns planetas porque o equipamento de som violava alguns tratados de limitação de armas estratégicas… e eles chegavam a criar explosões solares para servir de efeito visual para os shows.
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Que livros você acrescentaria aqui? Que autores brasileiros também enchem suas páginas do mais genuíno espírito do rock n’ roll?
2010 julho 14
[...] This post was mentioned on Twitter by Márcio Rodrigues. Márcio Rodrigues said: No dia mundial do rock, cinco dicas de LIVROS ROCK AND ROLL: http://bit.ly/aJvluC [...]