
E assim foi: esqueceram a gloriosa Brússia, ali pela época da revolução bolchevique e da consolidação da União Soviética. Os comunistas repararam que, enquanto seu país amargava o feudalismo em pleno século XX, os brussianos já tinham organizado uma comunidade anarco-pastoril, e nada havia para ser feito num lugar onde “burguesia” e “proletariado” nada significavam.
Nos tempos do czar, o Expresso Laranja vivia atolado de gente que ia passar as férias na pacata Brússia. Depois, a linha férrea foi completamente destruída pelo exército vermelho, e a locomotiva, que antes disputava o glamour com suas irmãs de outras cores e cognomes, foi abandonada.
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Os brussianos não se ressentiram com o isolamento, mas passaram a punir os visitantes russos (inicialmente por diversão, depois para manter a tradição), tirando-lhes os escalpos e confeccionando curiosos chapéus, que viriam a ser uma das marcas registradas do país. Os brussianos são assim: não gostam de desperdiçar, e arranjam finalidade até mesmo para os espólios do inimigo.
Prova disso é que são eles os precursores da reciclagem. Lá, o costume de alimentar cabras com papel é tão milenar quanto o brssnmppr, papiro criado por cientistas brussianos em 1522, pouco antes da proclamação da Descoberta da Vogal. As fezes resultantes do processo são destinadas para a Tchikova Shitzaravla (“pegue aquela galinha”), festa mais popular do país, que ocorre nas ruas da capital, Borotsky. Uma vez por ano, diversas galinhas são soltas na cidade e perseguidas pelos homens mais bravos da Brússia, que tentam abater os animais com pesadas bolas de cocô de cabra. Cada galinha morta rende 5 puntzka para o atirador.
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Sergei Ljknkski (1673 – 1695) era tido como o maior campeão da Tchikova, mas pesquisadores contemporâneos submeteram os cadáveres das 57 galinhas mortas por Sergei a uma análise rigorosa, na qual concluiu-se que eles haviam sido alvejados por fezes equinas.
A Tchikova nunca foi tida como um esporte. Ela surgiu como forma de fazer algo com as galinhas do país, já que os brussianos consideram que comer aves emburrece o homem. Essa crença está apoiada no ensinamento do filósofo Kv (38 A.C. – ?), que disse: “Gnfk plftv“, ou seja, “Alimentar-se de galinhas é estupidez”. Ainda assim, pequenos grupos não deixam de apreciar a culinária galinácea, já que a frase de Kv remonta a um período no qual as vogais ainda não haviam surgido na Brússia: essa anacronia decisiva pode ter subvertido o sentido real da oração, uma vez que “Gnfk” poderia significar tanto “alimentar-se de galinhas” quanto “fazer sexo com a mulher do ferreiro sem saber se ele realmente saiu de casa”.
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O genuíno esporte brussiano é o Vnostrevev, em que, após tomarem generosas doses de vodka brussïnin, os atletas têm de subir em um morro e soltar, um de cada vez, o seu grito mais potente. Juízes são espalhados pelas planícies vizinhas para atestar até onde os berros alcançam. Ganha o que chegar mais longe. Na modalidade coletiva, a soma das distâncias corresponde à pontuação do grupo. Apenas a equipe de Liechtenstein faz frente à seleção da Brússia, e a rivalidade entre os times teve o seu auge na Vnostrevevcup de 1981, quando, invadindo o hotel da delegação adversária durante a madrugada, um atleta brussiano assassinou três jogadores liechtensteinenses com um grito que os fez sangrar pelos ouvidos.
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O comércio na Brússia, quando tem de ocorrer, funciona por meio do escambo (envolve troca de favores). As cédulas monetárias estrangeiras que eventualmente chegam ao país são oferecidas às cabras, à exceção das notas de 3 Yiii Tehte do Cazaquistão, que agradam os brussianos por trazerem impressa a figura de um homem muito parecido com o filósofo Kv.
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Ainda que não exista um sistema político organizado, a população brussiana elege, a cada 9 anos, um conselheiro intelectual que é o árbitro de diretrizes importantes, como definir de quem é a responsabilidade pela criança que morre fora de casa e a quantidade máxima tolerável de leite que pode ser adicionada à vodka brussïnin na mamadeira dos bebês. Vinte e sete anos após a sua primeira candidatura, Lulski “Fucking Four Fingers” hoje ocupa o cargo. Ele tem operado importantes mudanças, como o decreto que garante que as esposas possam ser devolvidas às suas respectivas famílias caso se recusem a manter relações sexuais com algum dos homens da família do marido.
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Com 17 mil habitantes, Borotsky é a maior cidade brussiana. Mesmo sendo a capital do país e a grande aglutinadora dos eventos culturais que sustentam as sólidas tradições nacionais, Borotsky está situada num local de difícil acesso. A cada século, as dezenas de turistas que visitam a cidade têm de atravessar o rio Raftpravd, que, quando não está congelado, exige que o visitante tome uma grande distância para que pule sem molhar os calçados. Do outro lado, as atrações não são poucas, e vão desde as agitadas noites no bar fundado pelo avô de Owski, onde ocorrem apresentações como a imperdível dança dos gansos amestrados, até uma visita ao Nationalsbrussïnim Museumev Antikova, museu que reúne peças como as 57 galinhas abatidas por Sergei Ljknkski.
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Owski saiu da Brússia por não se contentar mais com ausência de conflito, de miséria e de escassez. Por tudo ser tão próspero no seu país de origem, e por considerar que a felicidade só se mede no contraste com o desolamento e a tristeza, Owski partiu levando um pouco do pouco que tinha, e não demorou para descobrir que o boteco é, por excelência, o lugar da exacerbação incontida dos contrastes da vida.
Eu sei muito sobre vários países e achei que era verdade até ver a foto do Lula…
kkkkk!
adorei o post,bem convincente!
[...] não cogitei a criação de uma rede social de brussianos por motivos óbvios: na Brússia, há uma grande resistência às inovações tecnológicas, muito em função dos ensinamentos do [...]
[...] ficou conhecido após apresentações recentes nos funerais coletivos (tradição bimestral na Brússia, costuma reunir milhares de pessoas – a maioria jovens – e os maiores artistas do [...]
[...] A classificação da Brússia para a Copa do Mundo da África do Sul surpreendeu muita gente, mas ninguém ficou mais surpreso que o próprio povo brussiano, mais afeito a esportes tradicionais como a Tchikova ou o apaixonante Vnostrevev (para saber mais sobre a Brússia e suas envolventes competições, clique aqui). [...]
2009 novembro 27
Me consegue uma passagem para a Brússia! Haha.
Quero participar da Tchikova!