Brússia, a pátria esquecida
Postado por Josias
novembro 22, 2009

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E assim foi: esqueceram a gloriosa Brússia, ali pela época da revolução bolchevique e da consolidação da União Soviética. Os comunistas repararam que, enquanto seu país amargava o feudalismo em pleno século XX, os brussianos já tinham organizado uma comunidade anarco-pastoril, e nada havia para ser feito num lugar onde “burguesia” e “proletariado” nada significavam.

Nos tempos do czar, o Expresso Laranja vivia atolado de gente que ia passar as férias na pacata Brússia. Depois, a linha férrea foi completamente destruída pelo exército vermelho, e a locomotiva, que antes disputava o glamour com suas irmãs de outras cores e cognomes, foi abandonada.

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Os brussianos não se ressentiram com o isolamento, mas passaram a punir os visitantes russos (inicialmente por diversão, depois para manter a tradição), tirando-lhes os escalpos e confeccionando curiosos chapéus, que viriam a ser uma das marcas registradas do país. Os brussianos são assim: não gostam de desperdiçar, e arranjam finalidade até mesmo para os espólios do inimigo.

Prova disso é que são eles os precursores da reciclagem. Lá, o costume de alimentar cabras com papel é tão milenar quanto o brssnmppr, papiro criado por cientistas brussianos em 1522, pouco antes da proclamação da Descoberta da Vogal.  As fezes resultantes do processo são destinadas para a Tchikova Shitzaravla (“pegue aquela galinha”), festa mais popular do país, que ocorre nas ruas da capital, Borotsky. Uma vez por ano, diversas galinhas são soltas na cidade e perseguidas pelos homens mais bravos da Brússia, que tentam abater os animais com pesadas bolas de cocô de cabra. Cada galinha morta rende 5 puntzka para o atirador.

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Sergei Ljknkski (1673 – 1695) era tido como o maior campeão da Tchikova, mas pesquisadores contemporâneos submeteram os cadáveres das 57 galinhas mortas por Sergei a uma análise rigorosa, na qual concluiu-se que eles haviam sido alvejados por fezes equinas.

A Tchikova nunca foi tida como um esporte. Ela surgiu como forma de fazer algo com as galinhas do país, já que os brussianos consideram que comer aves emburrece o homem. Essa crença está apoiada no ensinamento do filósofo Kv (38 A.C. – ?), que disse: “Gnfk plftv“, ou seja, “Alimentar-se de galinhas é estupidez”. Ainda assim, pequenos grupos não deixam de apreciar a culinária galinácea, já que a frase de Kv remonta a um período no qual as vogais ainda não haviam surgido na Brússia: essa anacronia decisiva pode ter subvertido o sentido real da oração, uma vez que Gnfk” poderia significar tanto “alimentar-se de galinhas” quanto “fazer sexo com a mulher do ferreiro sem saber se ele realmente saiu de casa”.

O genuíno esporte brussiano é o Vnostrevev, em que, após tomarem generosas doses de vodka brussïnin, os atletas têm de subir em um morro e soltar, um de cada vez, o seu grito mais potente.  Juízes são espalhados pelas planícies vizinhas para atestar até onde os berros alcançam. Ganha o que chegar mais longe. Na modalidade coletiva, a soma das distâncias corresponde à pontuação do grupo. Apenas a equipe de Liechtenstein faz frente à seleção da Brússia, e a rivalidade entre os times teve o seu auge na Vnostrevevcup de 1981, quando, invadindo o hotel da delegação adversária durante a madrugada, um atleta brussiano assassinou três jogadores liechtensteinenses com um grito que os fez sangrar pelos ouvidos.

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O comércio na Brússia, quando tem de ocorrer, funciona por meio do escambo (envolve troca de favores). As cédulas monetárias estrangeiras que eventualmente chegam ao país  são oferecidas às cabras, à exceção das notas de 3 Yiii Tehte do Cazaquistão, que agradam os brussianos por trazerem impressa a figura de um homem muito parecido com o filósofo Kv.

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Ainda que não exista um sistema político organizado, a população brussiana elege, a cada 9 anos, um conselheiro intelectual que é o árbitro de diretrizes importantes, como definir de quem é a responsabilidade pela criança que morre fora de casa e a quantidade máxima tolerável de leite que pode ser adicionada à vodka brussïnin na mamadeira dos bebês. Vinte e sete anos após a sua primeira candidatura, Lulski “Fucking Four Fingers”  hoje ocupa o cargo. Ele tem operado importantes mudanças, como o decreto que garante que as esposas possam ser devolvidas às suas respectivas famílias caso se recusem a manter relações sexuais com algum dos homens da família do marido.

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Com 17 mil habitantes, Borotsky é a maior cidade brussiana. Mesmo sendo a capital do país e a grande aglutinadora dos eventos culturais que sustentam as sólidas tradições nacionais, Borotsky está situada num local de difícil acesso. A cada século, as dezenas de turistas que visitam a cidade têm de atravessar o rio Raftpravd, que, quando não está congelado, exige que o visitante tome uma grande distância para que pule sem molhar os calçados. Do outro lado, as atrações não são poucas, e vão desde as agitadas noites no bar fundado pelo avô de Owski, onde ocorrem apresentações como a imperdível dança dos gansos amestrados, até uma visita ao Nationalsbrussïnim Museumev Antikova, museu que reúne peças como as 57 galinhas abatidas por Sergei Ljknkski.

Owski saiu da Brússia por não se contentar mais com ausência de conflito, de miséria e de escassez. Por tudo ser tão próspero no seu país de origem, e por considerar que a felicidade só se mede no contraste com o desolamento e a tristeza, Owski partiu levando um pouco do pouco que tinha, e não demorou para descobrir que o boteco é, por excelência, o lugar da exacerbação incontida dos contrastes da vida.

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6 Comentários em “Brússia, a pátria esquecida”
  1. Tiagovski
    2009 novembro 27

    Me consegue uma passagem para a Brússia! Haha.

    Quero participar da Tchikova!

  2. Owski
    2009 novembro 30

    A passagem é um par de galochas e muita força de vontade.

    Mas te liga: pra participar da Tchikova, tem que passar pelo ritual de iniciação a que todo brussiano jovem é submetido ali pelos 13 anos: no inverno, tem que descongelar 5 litros de vodka brussïnin em menos de 10 minutos. A base de mijo. Na Brússia, urina forte é sinal de virilidade.

  3. Illuminatti
    2010 março 05

    Eu sei muito sobre vários países e achei que era verdade até ver a foto do Lula…
    kkkkk!
    adorei o post,bem convincente!

  4. [...] não cogitei a criação de uma rede social de brussianos por motivos óbvios: na Brússia, há uma grande resistência às inovações tecnológicas, muito em função dos ensinamentos do [...]

  5. [...] ficou conhecido após apresentações recentes nos funerais coletivos (tradição bimestral na Brússia, costuma reunir milhares de pessoas – a maioria jovens – e os maiores artistas do [...]

  6. [...] A classificação da Brússia para a Copa do Mundo da África do Sul surpreendeu muita gente, mas ninguém ficou mais surpreso que o próprio povo brussiano, mais afeito a esportes tradicionais como a Tchikova ou o apaixonante Vnostrevev (para saber mais sobre a Brússia e suas envolventes competições, clique aqui). [...]



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