
Nada melhor para um homem do que um espaço democrático para que possa desabafar. Onde a presença de seus semelhantes de sovaco peludo o deixe à vontade para dizer aquilo que entala diariamente em sua garganta. Um lugar em que possa ser fiel aos seus sentimentos, onde possa se libertar das sílabas espinhosas que o sufocam. Um lugar em que possa, no mínimo, protestar contra as moléstias que a sociedade monogâmica lhe impõe.
Pois é dessa inestimável cyber-mesa-de-bar de que usufruo para gritar a plenos pulmões que: SER FIEL É A TAREFA MAIS DIFÍCIL DE TODAS.
Eu lhes garanto, meus caros, que se aos doze trabalhos de Hércules fosse incluída a tarefa de não desejar luxuriosamente as fêmeas do sexo oposto, nosso semi-deus teria fracassado. Isso se ele fosse dos nossos, é claro.

Firmar uma postura pragmática no que se refere aos relacionamentos entre homem e mulher é brincar com fogo. E afirmo isso em cima das diversas declarações que escuto por aí de que evoluímos muito no que se refere à sexualidade. Não, eu digo que continuamos mantendo enjaulados os nossos desejos da forma mais monstruosa possível, e não é porque assim queremos.
Fidelidade é uma questão de consideração, é uma questão de caráter. Vai muito além dos reles sentimentos do indivíduo. É respeito mesmo, e como diz o Homer Simpson “ao contrário do amor, o respeito não pode ser comprado”. Ser fiel é uma atitude nobre e é – quase sempre – o correto a se fazer, MAS – em caixa alta – temos nossas reivindicações a fazer.
Só pra começar, me digam meus estimáveis companheiros, algum de vocês consegue ficar um dia inteiro sem sentir-se atraído por no mínimo dez mulheres diferentes? Algum de vocês consegue ficar alheio a um belo par de coxas bem torneadas? A um farto e exibicionista par de seios? A um onipotente e impositivo quadril? Eu duvido muito, meus camaradas.
Não temos como escapar desse assolo – e mesmo que tivéssemos não quereríamos, mas estamos lidando com fatos reais e não com suposições, portanto repito: não temos como escapar desse assolo. As mulheres, graças a Deus, estão por toda parte. Somos conscientes do poder que a mini-saia tem sobre nós, somos vulneráveis aos jalecos de enfermeira e às cintas-liga, mas somos bravos. Nós somos B-R-A-V-O-S. Resistimos aos nossos instintos por respeito às nossas companheiras.
E o que recebemos em troca? Não respondam, meus amigos. Não respondam. Pois respondam sim, nós recebemos em troca exatamente aquilo que qualquer uma das – no mínimo dez – mulheres que nos atraem em um único dia podem dar. Sentimentos não são eternos – vale lembrar que todas as regras tem exceção -, mas nossos desejos são. E será eternamente que lutaremos contra eles se não tomarmos uma atitude. Mas nós não vamos tomar atitude nenhuma, e não me pergunte por quê. Assim como vocês, eu não sei exatamente a resposta. Ou quem sabe saiba, ou talvez não saiba.
Sabem aquele sentimento que temos em alguns dias, aquele de que todas as mulheres são pegáveis*? Sabe quando andamos pelas ruas e nos damos conta de que nada mais somos além de machos e que nada mais queremos além de fêmeas? Que sentimos que nosso único objetivo como seres terrestres é o de acasalar com o maior número de mulheres possível e, assim, dar continuidade a nossa espécie? Pois é, merecemos uma medalha por convivermos com pensamentos desse gênero.
*mulheres pegáveis são as mulheres que são pegáveis dentro de uma margem de mulheres que são ou não são pegáveis por motivos óbvios. Assim, quando falo do sentimento de que todas as mulheres são pegáveis eu me refiro àquelas que realmente são pegáveis, e não às que não seriam pegáveis em hipótese alguma, por exclusão evidente.
Com certeza a monogamia é o mais difícil de todos os arranjos conjugais humanos. Não tenho dúvidas de que os seres humanos podem ser monógamos (e esta questão é completamente diferente de devem ser), mas não se culpe: a monogamia é incomum, é difícil e, já está mais do que provado, vai contra a nossa natureza. MALDITA LEI DOS HOMENS!

Para concluir e deixar meus companheiros que tão amigavelmente chegaram até aqui em paz, gostaria de desculpar-me ao dizer que não tenho uma conclusão formada sobre o tema. Não posso querer simplesmente que as mulheres aceitem que sejamos aquilo que nossa natureza gostaria que fôssemos. Um pouco de consideração seria bom, é claro, mas se nossos esforços sobre-humanos não são dignos de gratidão por parte delas, são com toda certeza nosso estímulo – desnecessário, talvez – para uma boa rodada de chope e um boa filosofia de bar.
[...] E acabo de me dar conta de que fugi do tema e estou quase repetindo o post do colega Diógenes sobre a monogamia… [...]
2010 fevereiro 08
Não acho que sejamos “naturalmente” monogâmicos: homens E mulheres. Não entendo por que a monogamia só é difícil para os homens?! Por que vocês acham que para nós é fácil mantermo-nos fiéis a um único parceiro?
Concordo com a frase do texto “SER FIEL É A TAREFA MAIS DIFÍCIL DE TODAS” se ela valer para ambos os sexos!